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É um Brasil partido ao meio que vai decidir o desafio Dilma-Neves

No dia 26 de outubro, a ex-presidente Dilma Rousseff tentará a reeleição contra o social-democrata Aécio Neves, apoiado pela ambientalista Marina Silva: assim vive o Brasil a espera do segundo turno - O país parece dividido ao meio: Norte e O Nordeste ainda apoia Dilma, enquanto o Centro-Sul (incluindo São Paulo) apoia Neves.

É um Brasil partido ao meio que vai decidir o desafio Dilma-Neves

O cenário que emergiu do primeiro turno das eleições presidenciais, realizadas no último dia 5 de outubro, mostra um brasil dividido ao meio, com as regiões Norte e Nordeste (historicamente as mais atrasadas do país) firmemente nas mãos da presidente cessante Dilma Rousseff e o Centro-Sul mais à direita, em direção ao candidato social-democrata Aécio Neves. Um instantâneo que reflete a polarização entre os dois maiores partidos do país, o Partido dos Trabalhadores (PT) e a Social Democracia (PSDB), que se mantém ininterrupta desde 1994.

Nem mesmo a ambientalista Marina Silva, que se propôs como terceira via de mudança, conseguiu riscar o duopólio: no primeiro turno obteve decepcionantes 21% após assumir uma campanha eleitoral já em andamento do candidato socialista Eduardo Campos (que morreu em um acidente de avião em agosto). A emoção gerada pela tragédia a colocou temporariamente no topo das pesquisas, mas o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Lula não conseguiu acompanhar a máquina de guerra eleitoral de Dilma. Na votação declarou que apoiará Neves porque "acredita na alternância", mas resta saber se haverá transferência de votos.

De qualquer forma, os brasileiros serão chamados novamente às urnas no dia 26 de outubro. Enquanto as pesquisas mostram que Dilma e Neves estão empatadas nas intenções de voto, só o voto dirá se prevalecerá a linha de continuidade nas políticas sociais com forte intervencionismo estatal na economia prometido pelo presidente cessante ou se os eleitores optarão pela política mais liberal, mas sem abrir mão do assistencialismo introduzido pelos últimos governos de esquerda, proposto pelo dinâmico social-democrata. Os dois disputam 25 milhões de eleitores indecisos.

De um lado, Dilma Rousseff pode ostentar sucessos inegáveis ​​na frente social iniciado por Lula e levado adiante nos últimos 12 anos, com uma nova classe média subindo para o consumo e o desemprego em mínimos históricos. No outro, Neves se propõe como única alternativa crível para 59% dos eleitores insatisfeitos com a gestão do PT, assolado ao longo dos anos por inúmeros escândalos, sendo o último em ordem cronológica aquele que está devastando a alta administração da Petrobras, a gigante do petróleo controlada pelo governo, com gravíssimas denúncias de corrupção.

Quem quer que seja o novo presidente, terá que lidar com um Congresso extremamente fragmentado, com assento de 22 partidos, e do qual saiu o Partido dos Trabalhadores do presidente cessante enfraquecido (-18 deputados) e a social-democracia de Neves ligeiramente fortalecida (+10 deputados). De qualquer forma, para garantir a estabilidade, o governo terá que satisfazer um grande número de partidos e pequenos partidos. Para sair do pântano, os dois candidatos prometem uma reforma política, com diferentes matizes, para mudar a lei eleitoral e as instituições.

PARLAMENTO CONSERVADOR

Qualquer que seja o resultado da votação, as pesquisas já parecem ter frustrado o desejo de mudança expresso por milhões de brasileiros nas manifestações oceânicas de junho-julho de 2013. O novo presidente, que governará até 2018, será de qualquer forma a expressão de um dos dois partidos que disputam o país há 20 anos, ou por seis eleições consecutivas.

Mas sobretudo, segundo um estudo dos sindicatos, a frente conservadora dentro do Parlamento cresceu fortemente. Cerca de 40% do Congresso foi renovado, mas aumentou o número de bancadas ocupadas por expoentes evangélicos (pelo menos 40 são bispos e pastores), militares, policiais e latifundiários, enquanto diminuiu a próxima aos sindicatos.

Questões como a descriminalização das drogas, direitos dos homossexuais e aborto (o Brasil tem uma das leis mais restritivas do mundo) dificilmente entrarão na discussão política nos próximos anos, que promete focar na economia. Tanto Dilma Rousseff quanto Neves sabem que é preciso manter a inflação sob controle e elevar os níveis de crescimento.

Da fuga para o Brasil 

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