A recuperação da economia italiana da recessão de 2011-2013 vem se consolidando e se acelerando neste ano, mas ainda estamos "muito longe" dos níveis pré-crise: ao continuar crescendo no ritmo atual, a recuperação será concluído apenas em 2021. É o que aponta os Cenários Industriais do Centro de Estudos da Confindustria.
O crescimento do PIB começou no segundo semestre de 2013 e continuou em "ritmo mais acelerado" desde o início de 2015, até se tornar mais robusto a partir do final de 2016. Desde 2013, o PIB italiano cresceu globalmente 3,6%, recuperando mais de dois terços da queda registrada nos dois anos anteriores (-5,2%), com uma velocidade que se fortaleceu gradativamente até atingir a média trimestral de +0,4% nos últimos três trimestres.
A recuperação caracteriza-se por ser “mais persistente mas até agora em média mais lenta do que a observada após a recessão de 2007-2009”, observou o CSC. O peso registado até agora é quase idêntico nas duas fases de recuperação das recessões (+3,5% na primeira e +3,6% na segunda), mas a atual dura 16 trimestres contra 8 da anterior, com um taxa média de crescimento trimestral que é quase a metade da registrada nos dois anos a partir do segundo trimestre de 2009: +0,2% contra +0,42%. “A aceleração – escreveu o CSC – está, no entanto, elevando o ritmo recente acima da média de então”.
A ITÁLIA CONTINUA EM SÉTIMO NO RANKING MUNDIAL DA MANUFATURA
NA EUROPA ESTAMOS EM SEGUNDO APENAS PARA A ALEMANHA
De acordo com o ranking dos principais produtores mundiais de manufatura elaborado anualmente pelo Centro Studi di Confindustria, China e Estados Unidos seguem firmes na liderança com participações no valor adicionado mundial em dólares correntes de 29,5% e 19%, respectivamente, estáveis em relação ao 2015, enquanto o Japão, terceiro colocado, volta a ver sua participação crescer pela primeira vez desde 2010, fixando-se em 8,4%. A sétima posição da Itália também ficou estável, com participação constante de 2,3%, a segunda melhor posição da Europa atrás da Alemanha, em quarto lugar, com participação de 5,9%. Índia e Coreia do Sul continuam à frente da Itália.
“A indústria voltou a impulsionar o PIB no mundo – explicou o diretor do CSC, Luca Paolazzi – e também na Itália”. Entre os quinze maiores produtores mundiais, os únicos a perder posições são o Brasil e a Rússia, que caíram respectivamente para o décimo terceiro e o décimo quinto lugar, como resultado da forte recessão que os atingiu desde 2014.
A Itália "combinou bem a recuperação industrial da zona do euro, que desde 2013 é superior à dos Estados Unidos e Japão: +2,3% contra +0,9% e +2,1% as variações médias anuais correspondentes entre 2013 e 2016", observou o CSC. A indústria voltou a impulsionar o desenvolvimento económico europeu: a diferença entre o crescimento real do valor acrescentado da indústria transformadora e o do PIB é de +0,9 pontos percentuais; na Itália é a mesma coisa.
A recuperação da indústria italiana, no entanto, “está ocorrendo apesar do crescimento ainda muito fraco dos empréstimos às empresas do setor. Com o desenvolvimento dos mercados de capitais alternativos ainda contido, apesar dos indubitáveis progressos recentes, a recuperação económica tem sido até agora financiada em grande medida pela recuperação da rendibilidade das empresas e, consequentemente, pelo autofinanciamento”, observou o CSC.
Quanto ao mundo do trabalho, uma mudança de rumo foi observada desde a primavera de 2015. O número de horas trabalhadas aumentou 5,2% (até meados de 2017), devido principalmente ao alargamento do horário de trabalho; o emprego registou +1,5%, cerca de mais 60 trabalhadores.
Anteriormente, entre o outono de 2007 e o inverno de 2015, o emprego na manufatura italiana caiu quase 800 mil unidades (-17,1%).
