Quando pensamos nos problemas que o clima maluco pode nos criar, muitas vezes não nos damos conta de que conseguiremos ver os primeiros efeitos no dia a dia. Eventos climáticos cada vez mais violentos, temperaturas próximas dos picos tanto no inverno quanto no verão, fenômenos meteorológicos cada vez mais extremos podem ter efeitos impacto nas redes elétricas globais. São muitos os exemplos marcantes: desde os apagões de 2016 no sul da Austrália após tornados que sopraram a 200 km por hora, até a inundação de usinas de energia após o furacão Sandy em 2012 em Nova York ou, muito mais perto de nós, o apagão que em 2017 deixou milhares de famílias em Abruzzo sem eletricidade por vários dias. Último caso, o tufão que devastou o Japão no fim de semana passado.
Existem empresas que estudam o caminho tornar as redes elétricas mais "robustas" e resistentes, superando paradigmas consolidados na concepção e gestão de sistemas através da utilização de tecnologias inovadoras capazes de garantir o seu funcionamento e prevenir os riscos decorrentes de eventos climáticos adversos. Estes incluem dispositivos hidrofóbicos e dispositivos anti-gelo, que impedem o congelamento dos cabos, até dispositivos anti-torção, que atenuam a torção dos próprios cabos devido a ventos fortes.
Dentre essas empresas destaca-se Cesi, uma empresa italiana de propriedade da Enel e Terna ativa no segmento de serviços de teste e consultoria técnica para o setor elétrico que também abriga em seus laboratórios milaneses um dos únicos quatro locais do mundo para a produção de células fotovoltaicas especiais usadas para alimentar os satélites atualmente suspensos acima de nossas cabeças.
Alguns dias atrás, A Cesi assinou um acordo para adquirir a empresa holandesa de testes Kema. Por meio dessa operação, cujo fechamento está previsto para o final deste ano, a Cesi terá à sua disposição os laboratórios da empresa na Holanda, Tchecoslováquia e EUA, tornando-se a mais importante empresa do mundo em testes de redes elétricas de alta tensão.
Em seus laboratórios, CESI e KEMA são capazes de realizar testes em um ambiente climático controlado, no qual, por exemplo, é testada a resistência dos componentes ao gelo ou a temperaturas extremamente baixas ou extremamente altas. Além disso, as “bombas de água” e as cheias envolvem também testes de esforço mecânico em plataformas que simulam este fenómeno, que também podem ser realizados nos laboratórios das duas empresas”, explica a empresa em comunicado.
Do ponto de vista financeiro, a união entre as duas empresas vai dar origem a uma empresa com um volume de negócios de 180 milhões de euros, com 1.500 profissionais atuando em 40 países ao redor do mundo.
