Os países mediterrânicos voltam a preocupar a Europa. As vicissitudes políticas da Grécia, Portugal e Espanha continuam a preocupar o velho continente que teme cair no abismo da crise depois da cansativa ascensão dos últimos dois anos.
Se em Madrid o maior perigo é dado pela ingovernabilidade resultante das eleições gerais de 20 de dezembro que não deram a Rajoy a maioria absoluta necessária para governar, em Portugal o problema seria precisamente o novo Executivo de maioria socialista.
Ontem, o novo Premier António Costa decidiu, de facto, cancelar a privatização dos transportes locais de Lisboa e Porto, as duas cidades mais importantes do país. Uma reviravolta total face ao estabelecido pelo anterior executivo de direita que, no âmbito do plano de austeridade das finanças públicas, decretara a transferência da gestão dos transportes públicos de Lisboa para o grupo espanhol Avanza, uma empresa controlada pelo mexicano Ado.
No caso do Porto, a gestão do metro deveria ter passado para a espanhola Alsa, enquanto as viaturas de superfície, de acordo com os programas anteriores, deveriam ter passado para a francesa Transdev. Uma escolha que parece não ter agradado a Bruxelas que, face aos desequilíbrios económicos do país, teria preferido muito que o novo governo continuasse no caminho do rigor.
Ma até a Grécia parece ter decepcionado as expectativas dos líderes europeus. Segundo os últimos rumores, a proposta de reforma da previdência apresentada em 86 de janeiro por Alexis Tsipras não teria convencido a UE, pois não teria efeitos concretos nos tratamentos previdenciários existentes, atuando apenas nas pensões futuras. Uma "decepção" que põe em risco o pacote de ajuda de XNUMX bilhões de euros acordado em agosto passado após meses de difíceis negociações.
Em detalhe, a reforma iria prever a fusão dos seis principais fundos de pensões das várias categorias num único fundo, mas sobretudo cortes nos cheques futuros entre 15 e 30%. O texto estabelece ainda limites máximos mensais de 2300 euros para pensões avulsas (-400 euros face à legislação em vigor) e de 3.000 euros para quem acumular mais do que uma pensão (atualmente é de 3.680), sendo então fixado um limite mínimo mensal de 384 euros. por mês (o restante dependerá das contribuições). Finalmente, a reforma proposta introduz contribuições previdenciárias mais altas: +1% para empregadores e +0,5% para empregados.
A proposta de lei previdenciária será avaliada durante as negociações entre Atenas e seus credores sobre a revisão do programa do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM), que deve começar formalmente por volta de 18 de janeiro.
Entretanto, a zona mediterrânica continua a representar uma incógnita para o futuro do velho continente.
