"Nunca tão conectados e nunca tão sozinhos: as pessoas já não sabem como estar juntas", comenta Marco Bentivogli, ex-representante proeminente do sindicato CISL e atual coordenador da Base Italia, juntamente com outros 18 companheiros de jornada, como autor de "Plano B. A Itália do Futuro. Notas para a Mudança que Precisamos", livro publicado pela editora Donzelli e disponível nas livrarias neste fim de semana. "O declínio", explica Bentivogli no livro e nesta entrevista à FIRSTonline, "não é inevitável", mas se realmente queremos reconstruir o país, precisamos colocar as "conexões humanas" no centro: da saúde comunitária às escolas, do trabalho às cidades. O Plano B não é apenas mais um slogan, mas uma visão original para a sociedade que sabiamente parte da base, sabendo que, na sociedade, "o país já está construindo soluções melhores do que as adotadas pelos políticos". A esperança é que o livro seja um sucesso e inspire debates, e que os políticos, assim como os órgãos intermediários, sejam capazes de ouvir e compreender. Mas vamos ouvir exatamente o que Bentivogli pensa.
Bentivogli, como surgiu a ideia de “aconteceu”?Plano B. A Itália do Futuro. Anotações para a Mudança que Precisamos., uma coleção de ensaios de vários autores reunidos em um volume publicado pela Donzelli e disponível nas livrarias a partir de 26 de junho?
"Plano B nasceu em 2022, na sequência da experiência do Fórum Cívico de 2018, do encontro de pessoas com origens diversas unidas por um laço de "amizade política" e uma preocupação comum: uma política cada vez mais frágil enquanto o país, em seus territórios, já constrói respostas melhores do que aquelas que o debate público consegue oferecer. Após o primeiro livro em 2024, Uma partitura para regenerar a ItáliaE, para uma comunidade que trabalha com questões de trabalho, saúde e sustentabilidade desde 2025, este segundo volume reúne dezenove autores para preencher a lacuna entre as soluções já existentes e uma política incapaz de interceptá-las.
Em termos concretos, o que seria o Plano B E que mudança é necessária?
"O Plano B Trata-se da ideia de uma sociedade em que o trabalho, o bem-estar social, as escolas, as cidades e todas as transições não se baseiam unicamente na eficiência individual, mas na qualidade dos laços que geram. Comecemos por um diagnóstico claro: "nunca tão conectados e nunca tão sozinhos". A ruptura das relações próximas é uma "patologia sistêmica", fruto de décadas de escolhas que priorizaram o desempenho em detrimento do cuidado e a competição em detrimento da cooperação. E as pessoas já não sabem como conviver. A mudança necessária é recolocar os laços humanos no centro da nossa infraestrutura, da saúde comunitária às escolas, do trabalho às cidades.
Il Plano B Pode ser considerada uma plataforma útil para as forças políticas que desejam utilizá-la tendo em vista as próximas eleições políticas?
“O livro não nasceu como uma plataforma eleitoral e Plano B Não é um partido ou um movimento: é um "partido-S", uma proposta que se dirige ao país em vez de implorar aos partidos. Dito isso, o conteúdo está disponível para qualquer pessoa, sem exceção, que queira adotá-lo seriamente. A metáfora continua sendo musical: é uma partitura, e outros podem escolher tocá-la.
Com que riscos?
O verdadeiro risco não é que ninguém o abrace, mas que ele se reduza a um mero slogan de campanha. A política, ao citar as palavras-chave dos pensadores, alimenta o seu próprio narcisismo, mas trata ideias e propostas como se fossem consumidas pelo ruído do dia a dia. A política e os órgãos intermediários perderam toda a noção de representação e absorvem até mesmo ideias importantes como citações que se desvinculam do assunto. Tudo é representação, e até mesmo uma ideia se torna pouco mais, e às vezes até menos, do que uma figura de linguagem. oportunidade de fotoAté mesmo petições, apelos e manifestos diários sobre todos os assuntos já não abalam o debate público; tudo se resume a encaminhar mensagens que cada vez menos pessoas leem.
Realisticamente, na opinião dela, existem as condições políticas e sociais que impedem o Plano B Resta apenas um nobre testemunho e um ponto de partida para a mudança?
As condições são frágeis, mas reais, e não parto de uma mera ilusão otimista: parto do fato de que o país já está desenvolvendo respostas melhores do que aquelas que os políticos estão aceitando. Não se trata mais do velho "distanciamento das bases"; as bases não existem mais, e fingimos não perceber o distanciamento definitivo da política. Plano B É um caminho a seguir, não um manifesto trancado em um livro. O declínio não é inevitável, mas a redenção também não é automática: o tempo está se esgotando e anunciar mudanças já não basta; elas precisam ser praticadas dentro das instituições, nas comunidades e nas decisões do dia a dia. Em um país onde a participação como um todo está em profunda crise, as autocelebrações facilitam o declínio. O terceiro setor também está em dificuldades: os perigos da burocratização e da desumanização dos serviços sociais se tornam cada vez mais presentes. Plano B Vai funcionar se for desafiadorEncher conferências com "mídias sociais" é uma história já conhecida. Em nossa primeira apresentação, em 2023, a mídia nos recebeu com o slogan: "Eis o Partido Católico, centrista, de moderados". Nada poderia estar mais errado. Claro, cabe a nós não nos deixarmos levar pelo debate entre os políticos tradicionais, mas aqueles que reportam também devem se esforçar para enxergar além disso.
Il Plano B Inclui muitas propostas, mas quais são as verdadeiramente prioritárias e decisivas?
Existe apenas uma proposta decisiva, da qual todas as outras derivam: tratar as conexões humanas como infraestrutura, e não como um mero complemento espiritual. Concretamente, isso significa quatro prioridades: pessoas, meio ambiente, tecnologia e trabalho, sempre interpretadas a partir da perspectiva dessas conexões e de sua capacidade de reconstruir o país. Reconstruir a proximidade na saúde e na educação, pensar o trabalho como uma relação e não como mera performance, gerir uma transição ecológica que não dependa do poder aquisitivo das famílias, e instituições, regiões e cidadãos que pratiquem em vez de apenas anunciar. Todos nos queixamos de um sistema político que tirou o jogo da democracia. Queixamo-nos de uma classe que prospera com a reeleição, mas ainda somos fracos na reconstrução de processos de engajamento coletivo. Plano B Trata-se de valorizar a outra Itália, aquela que, com seu próprio esforço, não para e não desiste”.