O alarme levantado nos últimos anos sobre o consumo de alimentos processados e ultraprocessados exige reflexão sobre a qualidade dos alimentos consumidos. O termo processado é de origem inglesa, processar na verdade significa processar, transformar. A transformação não se refere ao preparo do chef, que utiliza métodos e ingredientes naturais, mas sim ao processamento realizado pela indústria alimentícia quando utiliza substâncias que modificam excessivamente o sabor, a cor, a consistência e o prazo de validade dos alimentos que consumimos. consumir.
Existe uma classificação oficial nesse sentido, chamada NOVA, que dividiu o alimentos que utilizamos em quatro grupos: Alimentos não processados ou minimamente processados, Ingredientes culinários processados, Alimentos processados, Alimentos ultraprocessados.
O primeiro grupo inclui alimentos presentes na natureza (raízes, tubérculos, carne) e processados com técnicas tradicionais como fervura, secagem, etc. Pertencem ao segundo grupo: Alimentos naturais processados através de processos como moagem, refino, etc. O terceiro grupo inclui alimentos que se tornaram mais palatáveis com a adição de óleo, sal, açúcar e farinha. Por fim, no quarto grupo aparecem os alimentos com inúmeros ingredientes, incluindo aditivos para melhorar as qualidades sensoriais, como refeições prontas, refrigerantes, alimentos light.
Preste atenção ao rótulo: quanto mais complexo ele for, menos você poderá confiar nele
Atualmente não há classificação. É interessante ressaltar a diferença entre o rótulo de um alimento ultraprocessado e um simplesmente processado conforme relatado a seguir:
Ingredientes da massa: farinha de TRIGO mole (origem extra-UE), margarina [óleos e gorduras vegetais não hidrogenados (palma, girassol), água, emulsionante (E471), regulador de acidez (E330), aromas, corante (beta-caroteno)], água, açúcar, OVOS (origem IT), levedura de cerveja, melhorador (glúten de TRIGO, dextrose, emulsionantes (ésteres mono e diacetil tartáricos de mono e diglicéridos de ácidos gordos (E472e)), agentes antiaglomerantes (carbonato de cálcio (E170)), TRIGO farinha, antioxidantes (ácido ascórbico (E300)), enzimas [TRIGO], açúcar invertido, sal, aromas, corante: beta-caroteno.
ingredientes: sêmola de TRIGO duro 64%, farinha de TRIGO duro torrado 20% (GRANO arso), água.
O consumo habitual de alimentos ultraprocessados acarreta riscos de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer
O número de ingredientes é, sem dúvida, um elemento discriminatório para distinguir um alimento de outro. Estudos recentes sobre grandes grupos populacionais e publicados em revistas de prestígio estabeleceram que um o consumo habitual de alimentos ultraprocessados acarreta riscos de diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer. A investigação mais significativa foi publicada no prestigiado British Medical Journal, no final de um longo trabalho que começou em 1986 e terminou em 2015, envolvendo 46341 homens e 159907 mulheres nos Estados Unidos (Lu Wang, Mengxi Du, Kai Wang, Neha Khandpur, Sinara Laurini Rossato, Jena-Philippe Drouin-Chartier, Euridice Martinez Steele, Edward Giovannucci, Mingyang Song, Fang Fang Zhang)
A investigação começou com indivíduos saudáveis, aos quais foi aplicado um questionário sobre hábitos e estilo alimentar a cada dois anos, excluindo aqueles que tinham ingestões calóricas muito altas ou muito baixas. Dada a extrema heterogeneidade dos alimentos ultraprocessados ingeridos, os pesquisadores calcularam para cada sujeito a ingestão calórica diária proveniente apenas dos alimentos ultraprocessados, já que durante o dia cada um deles consumia alimentos que também se enquadravam nas demais categorias da NOVA. Foram determinadas as variáveis que poderiam ter impacto significativo no resultado da investigação, como tabagismo, consumo de álcool, nível de atividade física e uso de medicamentos.
Consumo de alimentos ultraprocessados leva a aumento de 29% no risco de contrair câncer colorretal em homens
A análise estatística final constatou que o consumo de alimentos ultraprocessados leva a aumento de 29% na probabilidade de contrair câncer colorretal em homens, mas não para mulheres. Em particular, o consumo de carnes, aves e refeições prontas. Sobremesas à base de iogurte e laticínios estão negativamente correlacionadas com câncer colorretal em mulheres.
Para minimizar os riscos para a saúde humana é, portanto, cÉ aconselhável consumir pratos preparados com cozinha expressa, com poucos ingredientes e com ervas aromáticas fresco. As refeições prontas não devem ser demonizadas, desde que não contenham outros aditivos além da matéria-prima indicada no rótulo.
