É hora dos falcões. A ofensiva de Donald Trump contra o Fed promoveu a unidade dos banqueiros em apoio a uma política de custo do dinheiro mais rigorosa.
A ata da última reunião do Banco Central mostra que o Fed, independentemente das pressões da Casa Branca, pretende continuar no caminho do aperto monetário, mesmo à custa de ir além da zona de neutralidade. Os membros do comitê seleto do Banco Central estão quietos sobre o crescimento econômico dos EUA. Em suma, as taxas continuarão subindo, diz o presidente.
A atitude, mais rígida do que o esperado, segurou Wall Street e elevou os rendimentos dos títulos do tesouro de dez anos, acima do nível de guarda de 3,20%. A bienal subiu para 2,8942%. As tensões também foram mantidas pela modesta queda no estoque de títulos do Tesouro detidos pela China, mais ligada, segundo analistas, à defesa do yuan (que caiu esta manhã para 6,9378, ao menor nível em 2 anos) do que à retaliação de tarifas. Pequim escapou das acusações do Tesouro dos EUA de manipulação das taxas de câmbio.
Nesse contexto, porém, as listas desaceleraram após as fortes altas da véspera.
A Bolsa de Valores de Tóquio caiu 0,7%. A balança comercial do Japão foi decepcionante, principalmente as exportações, que caíram 1,2% no mês passado após quase dois anos de alta.
O mercado de ações de Hong Kong sobe ao reabrir após uma pausa. Os da China continuam em baixa, a níveis não vistos desde março de 2016. Índice CSI 300 das bolsas de Xangai e Shenzhen -1,5%. O banco central coreano deixou as taxas inalteradas.
As mensagens do Fed "congelaram" a corrida de alta em Wall Street: o índice Dow Jones fechou em -0,36%, o S&P 500 (-0,03%) e o Nasdaq (-0,04%) mostraram pouco movimento).
Netflix ainda em alta (+5,2%). IBM colapsa (-7,62%): o grupo fechou o terceiro trimestre com faturamento abaixo das expectativas em 18,76 bilhões de dólares, contra 19,1 bilhões previstos por analistas.
A notícia da legalização da cannabis no Canadá, amplamente aguardada há semanas, foi acompanhada na bolsa por quedas acentuadas nas empresas produtoras de maconha, que subiram acentuadamente nos últimos meses. Copas -4,5%.
O petróleo Brent movimentou-se pouco esta manhã, pouco acima dos oitenta dólares o barril, o forte aumento dos stocks de crude nos Estados Unidos, igual a 6,5 milhões de barris, contribuiu para a queda de ontem (-1,7%).
Eni-1,4%. O HSBC aumenta o preço-alvo de 19,4 para 19,5 euros. Saipem -3%.
HOJE NA PRIMEIRA CIMEIRA DA UE NA ITÁLIA
A trégua durou pouco. De Bruxelas recomeçaram os torpedos sobre a manobra italiana, recebidos com soberano desprezo pelos dois vice-primeiros-ministros verde-amarelos. A reunião de hoje dos dirigentes europeus, já agendada para relançar a reforma da união monetária, poderá transformar-se, segundo o Financial Times, numa espécie de julgamento contra a Itália por iniciativa da Holanda e de outros países do Norte. O primeiro-ministro Giuseppe Conte já antecipou que a manobra “tem pouco espaço para mudanças”. Mas, segundo o vice-primeiro-ministro Luigi di Maio, já pensou em mudá-lo uma mãozinha introduzindo mudanças pró-evasão fiscal. "É uma acusação irreal", responde Matteo Salvini.
“Minha opinião – tuitou o comissário do orçamento da UE, Guenther Ottinger – é que teremos que pedir à Itália que corrija o plano orçamentário”. Curto prazo para evitar a decisão das agências de rating primeiro (S&P está agendada para o dia 26).
EUROBARÔMETRO: ITALIANOS PRÓ-EURO, MAS CONTRA A UE
Uma pesquisa do Eurobarômetro sobre o gosto dos europeus pela UE revelou que, em caso de referendo, apenas 44% dos italianos votariam a favor da permanência, embora, curiosamente, 65% se declarassem a favor do euro.
Nesta conjuntura, a Piazza Affari voltou a fechar no vermelho, invertendo a tendência positiva registada no início: -1,33% para 19.455 pontos (face a um máximo inicial de 19.912 pontos).
As demais Bolsas também ficaram negativas: Frankfurt -0,52%; Paris -0,54%; Madri -0,8%; Londres -0,08% e Zurique -0,4%.
O SPREAD SOBE NOVAMENTE PARA 309. CÂMBIO MÁXIMO DO TESOURO
O mercado de dívida também sofreu novamente, com uma queda acentuada no final. O spread fechou em 309 pontos, de 297 pontos-base na noite de terça-feira e 293 na abertura.
Em pauta hoje está uma operação de câmbio em que o Tesouro se oferece para recomprar até 3 bilhões de euros do BTP Italia abril de 2020 – cujo free float gira em torno de 20,5 bilhões – por meio da emissão de novas tranches de cinco títulos nominais. A operação acentuou a correção do mercado na parte médio-longa da curva, oferecendo suporte à parte curta.
GOLDMAN SACHS REJEITA O CARRO. FCA E CNH SOFREM
O setor automobilístico caiu fortemente ontem. O setor está sob pressão após uma nota do Goldman Sachs, que prevê um terceiro trimestre fraco e possíveis revisões para baixo das estimativas. Os analistas do banco de investimentos especulam um mix negativo composto por queda da produção na Europa (devido a mudanças nas regras de emissões), desaceleração da demanda na China e fraqueza na América Latina.
Os fabricantes alemães e a Renault perderam suas tacadas (-3,15%). Na Piazza Affari, a Fiat Chrysler caiu 4,19%. Para o grupo, setembro foi particularmente negativo, -31,4%. O resultado é fruto do boom de matrículas em agosto, sustentado por fortes descontos desde casas a armazéns vazios face à introdução de novos regulamentos antipoluição. Em baixa também Ferrari (-3,36%) e Exor (-3,6%).
A Cnh entra em colapso, perdendo 4,1% após o corte da classificação do Bofa Merrill para 'neutro'.
Dia difícil também para a Pirelli (-3,22%): a Goldman Sachs baixou o preço-alvo de 8,1 para 7,2 euros, com rating neutro confirmado.
Brembo é salvo (+1,07%). Piaggio -1,3%. A Banca Imi confirmou a recomendação de Compra com um preço alvo de 2,6 euros.
O prysmian também caiu entre os industriais (-2,5%). A ascensão da Stmicroelectronics também deflacionou: +1%, de +5% pela manhã, na sequência de previsões crescentes para o volume de negócios de. Asml Holding, o primeiro fabricante europeu de equipamentos e máquinas para a produção de chips.
BANCOS E COMPACTAÇÕES DE SEGUROS COM A MANOBRA REBUS
A tendência do crédito é frustrada: os banqueiros procuram orientar-se na novidade da manobra. Bper Banca (+0,14%) e Unicredit (+0,32%) ganham, Intesa desce (-1,14%). O índice do setor perde 0,64%.
Unipol Sai -1%, Cattolica -0,9%, Generali -0,4%. As seguradoras temem que, para favorecer o Sul, haja um retorno à tarifa única da Rc Auto. Isso será esclarecido pelo decreto-lei omnibus que acompanhará a manobra, mas enquanto isso as principais empresas estão calculando e verifica-se, por exemplo, que se o prêmio fosse o mesmo em todas as províncias, em Bolzano aumentaria 40% enquanto em Nápoles cairia para mais da metade: -65%.
ASTALDI E OVS, DUAS ESTOQUES NO TÚNEL
A Ovs, empresa líder no mercado italiano de vestuário com as marcas Ovs e Upim, caiu 9% na final, atingindo um novo mínimo histórico de 1,748 euros. Ontem chegou a primeira alta modesta após 17 sessões negativas consecutivas. O HSBC reiterou a recomendação Hold, mas reduziu drasticamente o preço-alvo para 2,0 euros de 2,90 euros devido ao cenário incerto no país.
Astaldi -5,59% com mais que o dobro dos negócios em relação à média dos últimos 30 dias. O Tribunal de Falências de Roma aceitou o pedido de Astaldi de uma composição condicional antes da subseqüente apresentação de um plano de recuperação dentro da composição. A empresa agora tem 60 dias para apresentar o plano de composição. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias. Um papel do CDP no resgate de Astaldi "não está sendo estudado" pela Cassa Depositi Prestiti. O anúncio foi feito por fontes próximas ao CDP.
