Chega de turbo finançasa fabricação está de volta à moda. “A política industrial – exulta Giorgio Squinzi perante o público da Confindustria – voltou ao centro”. Professora Bertatalvez tenha liquidado cedo demais o espírito animal de nosso próprio capitalismo.
"Mão. Aprecio o espírito das palavras de Squinzi, mas não acredito que a empresa, ao contrário de meio século atrás, possa impulsionar o crescimento generalizado do país. Basta mencionar o caixa de hidromassagem. Estamos enfrentando um investimento importante, 500 milhões para criar uma fábrica líder na Europa, mas também uma perda total de 2.000 empregos na Itália. A indústria perdeu a capacidade de impulsionar o crescimento social. Depois da guerra, a incidência e o papel da indústria eram muito diferentes. Hoje isso se aplica a áreas específicas, por exemplo, o impacto da Luxottica em uma área da região de Veneto. Ou investimentos para Alfa em Melfi. Não é por acaso que Matteo Renzi escolheu ir para lá e não para a Expo da Confindustria”.
Fala assim José Berta, professor de história contemporânea na Bocconi, incansável pesquisador que percorre as empresas com o objetivo de acompanhar a mudança nas fábricas da Itália, título de seu esclarecedor ensaio sobre a produção que muda na era da manufatura 2.0. Ele dedicou boa parte de sua carreira, também como diretor do arquivo histórico da Fiat, à história e evolução do grupo de Turim, desde suas origens até o ciclone Marchionne, cuja novidade em liderança ele foi um dos primeiros a intuir. Em suma, a pessoa mais adequada para tentar um instantâneo da situação vista do lado da indústria. Ou melhor, das indústrias porque entre a Fiat Chrysler e a Confederação dos Industriais, as estratégias continuam distantes, apesar dos certificados de estima mútua entre Squinzi e Marchionne.
FIRSTonline – Além de falar de Melfi, porém, hoje é obrigatório mencionar O investimento da Volkswagen no Lamborghini SUV. Este é um ponto de inflexão nas relações entre as multinacionais e a Itália?
BERTHA - "Vamos ver. Não creio que seja apropriado exagerar o alcance de um investimento que, no entanto, é generosamente financiado”.
FIRSTONLINE – O fato é que Fiom disse sim desta vez. E Maurizio Landini opôs a negociação ao estilo alemão à miopia de nossos empregadores locais.
BERTA – “Landini disse sim em uma situação em que controla 17 sindicatos em 18. Foi um movimento obrigatório para um sindicato majoritariamente. Se estivesse em minoria, sem correr o risco de estourar o investimento, teria dito não. Também gostaria de ressaltar que na Volkswagen existe um contrato corporativo, não o totem do contrato nacional”.
FIRSTonline – Mas Squinzi, tendo em vista a época contratual, não repudia a negociação nacional.
BERTA – “Acho que o presidente da Confindustria não quer colocar Susanna Camusso em mais dificuldades. Também porque, na minha opinião, ele suspeita que a crise da CGIL acabaria por colocar a Confindustria em crise também. E acho que é um medo bem fundamentado. Porém, achei fraco o relato de Squinzi. Ele teve a coragem de mencionar o contrato de representação que, dois anos depois de assinado, nunca decolou”.
FIRSTonline – A sensação é que alguns títulos custam a morrer. Mas será sempre assim?
BERTA – “Não, acho que a situação está evoluindo rapidamente. Os problemas italianos serão um dos capítulos de um já evidente mal-estar europeu. Pensemos apenas na última semana: o discurso da rainha Elizabeth, com críticas abertas à relação com a UE, a crise grega, o sucesso do Podemos na Espanha. As forças anti-euro controlam 35-40% dos votos. Limitar-se a administrar a situação olhando apenas para o passado corre o risco de ser suicida".
FIRSTonline – Quem olha para o futuro, talvez demais, é Marchionne. Como você avalia sua análise do mercado automotivo? Começando com 'Auto, o diário de um viciado em capital' que gerou críticas e ironia na mídia anglo-saxônica.
BERTA – “Gostei muito dos slides dessa apresentação, muito esclarecedores sobre o estado da indústria automobilística que, é verdade, continua queimando capital. Com uma exceção notável: Toyota. Então a polêmica estourou. Muito engraçado, na verdade."
FIRSTonline – O que é isso?
BERTA – “Tudo começou com Max Warburton, analista apreciado e muito válido de Bernstein. Foi ele quem disse a Marchionne: mas por que ele diz essas coisas, ou seja, a necessidade de agregações no mundo automotivo, para nós e não para seus colegas? Porque são vocês analistas, foi a resposta, que devem aconselhar os investidores da melhor forma. Mas então Warburton deu um golpe de mestre: em 2009, disse ele, minha opinião era de que era necessária uma fusão entre a GM e a Chrysler. Aí você chegou, Sérgio”.
FIRSTonline – E Marchionne?
BERTA – “Ele disse eu te amo Max. E foi embora”.
FIRSTonline – O divertido episódio levanta a suspeita de que a popularidade de Marchionne está em declínio nos EUA. Isso é demonstrado, entre outras coisas, pelas dificuldades com as autoridades que protegem a segurança dos veículos. É isso?
BERTA – “É o destino de Marchionne: sua popularidade cresce na Itália, onde ele faz uma vingança sagrada depois de anos de críticas injustas, mancha nos EUA. É a ruína da economia global, cujos ciclos são muito difíceis de dominar. Vendas melhoram na Europa, mas caem no Brasil. E pela primeira vez o grupo assinala uma quebra, ainda que ligeira, nas vendas”.
FITRSTonline – Mas casamentos são possíveis?
BERTA – “Parecem-me difíceis mesmo que o CEO da Fiat Chrysler tenha razão quando afirma que ninguém, nem mesmo os alemães, tem condições de fazer face aos investimentos que o automóvel do futuro vai exigir, a começar pela eletrónica. É fácil prever que em breve entrarão em cena os grandes nomes da nova economia, a começar por Apple e Google. Dizem que terão sucesso, mesmo vendo as dificuldades do Google Vidro e o Apple Watch”.
FIRSTonline – Eles, Google e Apple serão parceiros da FCA?
BERTHA - "Acho que não. Se esses grupos estivessem interessados na Fiat Chrysler, eles poderiam comprá-la com um quarto ou dois de lucro. Com todo o respeito a Marchionne”.
