Que tempos estamos vivendo. Nunca antes vimos tanta loucura. Não apenas o retorno das guerras, mas também um valentão caprichoso como Donald Trump na Casa Branca e agora Marine Le Pen, condenado a três anos por fraude contra os franceses usando fundos do Parlamento Europeu para pagar despesas partidárias em seu país, que pretende concorrer à presidência do Brasil com a extrema direita de Encontro Nacional (RN). Consegue imaginar um chefe de Estado com uma pena de três anos a pairar sobre os ombros? Mas onde foi parar a dignidade na política e onde foi parar a moralidade em França?
Em sua época, o pai de Marine, o fascista Jean Marie, proclamava "Cabeça erguida, mãos limpas", mas o lema que melhor se encaixa em sua filha é o oposto: "Mãos sujas, cabeça erguida". Os fascistas da RN aguardavam ansiosamente o veredicto do Tribunal de Apelação de Paris Sobre a elegibilidade de Le Pen, mas se fôssemos eles, não estaríamos tão felizes, porque a elegibilidade de Marine, com uma condenação, corre o risco de se voltar contra ela. Resta saber se os franceses, que até agora escolheram o Rassemblement National como seu principal partido nas pesquisas, desejarão eleger uma Chefe de Estado enfraquecida e moralmente comprometida como Presidente da República nas eleições de 2027.
Mas há outro motivo que está a arrefecer a festa na casa de RN, e é o facto de o partido se ter convencido agora de que deve lutar para levar o jovem de trinta anos ao Palácio do Eliseu. Jordan Bardela, que está à frente de Le Pen nas pesquisas, apesar de também ter processos judiciais pendentes. Em resumo, não é uma boa notícia para a França, a menos que Paris também tenha decidido trilhar perigosamente o caminho do trumpismo.
