O inteligência artificial está cada vez mais presente nos processos de produção e treinamento, mas sua integração não está ocorrendo na mesma velocidade que sua difusão. Essa é uma das principais mensagens que emergem de "EDUNext – Novos Cenários para Educação e Habilidades na Era da IA”, a nova pesquisa do Observatório Look4ward apresentada em Roma por Intesa são paulo e pelo Centro de Pesquisa de Mudanças Estratégicas “Franco Fontana” do Luiss Guido Carli University.
Uma obra que tenta responder a uma questão que agora é central: como a aprendizagem muda quando a IA Isso passa a fazer parte dos processos cognitivos, educacionais e de tomada de decisão?
A inteligência artificial está ganhando espaço nas empresas, mas a lacuna de treinamento ainda é grande.
A partir dos dados do estudo, conclui-se que uma aceleração evidente na adoção de tecnologias de inteligência artificial31% das empresas pesquisadas já adotaram ou estão experimentando soluções de IA, um aumento em relação aos 19% registrados em 2025. Esse número confirma como a inteligência artificial nas empresas está se tornando um elemento cada vez mais estrutural dos processos organizacionais e de produção.
No entanto, essa evolução tecnológica não é acompanhada por um desenvolvimento paralelo de habilidades internas sobre IA e treinamento digital. O cenário é, na verdade, heterogêneo e sinaliza uma crescente disparidade Entre inovação e capital humano: 85% das empresas com IA lançaram ou planejaram treinamentos específicos, mas apenas 19% possuem programas estruturados e contínuos, enquanto 48% se limitam a projetos-piloto ou iniciativas pontuais. Ainda mais críticos são os dados segundo os quais 46% dos funcionários não receberam treinamento. Especificamente em inteligência artificial, 44% das empresas não planejam investir em treinamento nos próximos 12 a 24 meses. Esse desalinhamento evidencia um problema estrutural: a tecnologia está superando o desenvolvimento do capital humano.
Inteligência Artificial e Aprendizado: O Valor Depende do Contexto
Um dos aspectos mais relevantes da pesquisa EDUNext diz respeito às preocupações o impacto da inteligência artificial nos processos cognitivos e modelos de aprendizagem. A análise empírica realizada com aproximadamente 800 pessoas, em sua maioria estudantes, revela um resultado surpreendente: a eficácia da IA não é automática nem uniforme, mas depende significativamente da complexidade da tarefa.
Em tarefas de baixa complexidade, aliás, a ausência de ferramentas tecnológicas favorece maior envolvimento, atenção e aprendizagem ativa, sugerindo que O uso da IA nem sempre é um fator de melhoria.Pelo contrário, para tarefas altamente complexas, a inteligência artificial demonstra ser um suporte eficaz, capaz de reduzir a carga cognitiva e melhorar a qualidade das decisões.
Uma passagem fundamental do estudo enfatiza que “o valor da inteligência artificial não é universal, mas contingente e depende de como ela é integrada aos processos educacionais e profissionais”.
O Modelo EDUNext Genius: Tecnologia e Autonomia Cognitiva
Partindo desses resultados, a pesquisa propõe uma nova estrutura: a Modelo EDUNext engenhoso (Ecossistemas Generativos para uma Nova Educação de Aprendizagem Aumentada Inteligente). O objetivo é projetar sistemas educacionais capazes de integrar de forma equilibrada inteligência humana e artificial, evitando tanto a substituição de habilidades cognitivas quanto o uso acrítico da tecnologia.
O modelo baseia-se em alguns princípios fundamentais da educação aumentada: uso seletivo de inteligência artificial com base na complexidade da tarefa, a centralidade da autonomia cognitiva individual, a integração de habilidades tecnológicas, éticas e críticas, e o papel decisivo do design pedagógico na interação humano-máquina. Essa abordagem desloca o foco da automação da aprendizagem para a "aprendizagem aumentada", ou seja, aprendizagem impulsionou mas não delegado à tecnologia.
Vozes da Pesquisa: Entre Transformação e Assimetrias
para Elisa Zscopio MarsalaSegundo o chefe do Ecossistema Educacional e dos Programas Globais de Valor do Intesa Sanpaolo, "a inteligência artificial não substitui o aprendizado, mas o transforma, e seu valor depende da qualidade dos modelos educacionais nos quais está integrada". Essa transformação exige novas competências transversais e maior colaboração entre empresas, universidades e instituições.
Enzo PeruffoFranco Fontana, diretor do Centro de Pesquisa em Mudança Estratégica "Franco Fontana" da Luiss, destaca uma dinâmica "assimétrica": "A pesquisa EDUNext revela uma transformação profundamente assimétrica: a inteligência artificial já entrou nas atividades cotidianas de estudo e trabalho, mas sua integração nos processos educacionais, organizacionais e de tomada de decisão está ocorrendo mais lentamente." Ele acrescenta: "O modelo Geniale surge justamente dessa constatação: a aprendizagem aumentada não coincide com a automatização do aprendizado, mas com um planejamento mais consciente da interação entre tecnologia e capacidades humanas."
