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Visco (Banco da Itália): "É assim que nascem nossas estimativas do PIB"

Apresentando seu último livro no Opificio Golinelli em Bolonha, o governador do Banco da Itália explicou como foi elaborada a estimativa de crescimento de 0,6% do PIB italiano, também confirmada ontem pelo Fundo Monetário Prodi: “Brexit pode reunir a Europa” – Visco e Prodi concordam com a solidez do sistema bancário italiano

Visco (Banco da Itália): "É assim que nascem nossas estimativas do PIB"

“Só existe um bem, o conhecimento, e um só mal, a ignorância”. Ignazio Visco, governador do Banco da Itália, usa Sócrates para apresentar seu livro "Anos difíceis, da crise financeira aos novos desafios da economia", publicado por Il Mulino e apresentado ontem pela primeira vez no Opificio Golinelli de Bolonha, juntamente com o ex-primeiro-ministro Romano Prodi e o presidente da Uniindustria Reggio Emilia, Fabio Storchi.

Para entender quem somos hoje, Visco olha para trás e analisa uma década de preocupações e grandes acontecimentos, da crise financeira global à da dívida soberana da área do euro, entregando-se ainda a uma ironia amarga na apresentação, no dia em que o Fundo Monetário de Davos diz que a Itália é um dos grandes riscos globais. No livro, brinca o governador, há um erro de impressão onde se lê que “estamos saindo” dos anos difíceis. Ou já saímos dela ou ainda estamos nela e saber qual é a real situação é melhor do que enfiar a cabeça na areia. Saber é bom, ignorar é ruim.

De fato, as críticas aos números e às previsões de crescimento não darão ao país o impulso necessário para seguir em frente e não darão à Europa a injeção de confiança de que ela precisa. A luz do conhecimento nunca é arrogante: “Todas as previsões – admite Visco – podem estar erradas. Dizem 0,6% ou 1% ou 1,5%, mas na realidade nada se pode prever, ninguém tem bola de cristal”. O que se pode fazer, porém, é alinhar fatos, probabilidades, positivas e negativas, traçar um gráfico e ver de que lado ele se inclina.

Isso é essencialmente o que o instituto central fez noúltimo boletim com a estimativa do PIB de 2019, revisto para 0,6%, tendo em conta o impacto positivo que a nova manobra orçamental poderá ter no consumo imediato. O resultado é que "os riscos de queda são maiores do que os riscos de alta”. 0,6% do PIB em 2019, contra o 1% considerado pelo governo “é na verdade a ‘moda’, como se diz na matemática, de uma distribuição de probabilidade assimétrica descendente, a mediana mais baixa”.

A Itália é, portanto, "um país em dificuldade, em um continente em dificuldade". O Brexit é o outro grande elemento desestabilizador, segundo o FMI, que começa na Europa e tem repercussão global.

Paradoxalmente, porém, Segundo Romano Prodi, o Brexit pode ajudar a Europa a se reagrupar, se não por amor, pelo menos por necessidade. Ainda em vista das eleições europeias, o difícil caminho da saída da Grã-Bretanha da União pode reforçar a sensação de irreversibilidade dos passos dados pelos países membros. “Nesta partida – observa Prodi, ex-presidente da Comissão da UE – vimos um Reino desunido e uma Europa unida. E isso é bom, porque precisamos estar juntos mais do que nunca em um mundo onde os Estados Unidos e a Rússia nos dominam. Se formos racionais o faremos”.

Em outro ponto Prodi e Visco apareceram particularmente em harmonia e isso está no solidez do sistema bancário italiano.

"Nunca ninguém disse que o italiano é o melhor sistema bancário da Europa - afirma Visco -, disse-se que é um sistema sólido globalmente". Os bancos italianos "tiveram a menor contribuição pública de toda a União Europeia". E se há arrependimento é o de ter negociado mal as regras do jogo que mudaram desde 2013. fique euo problema do crédito corporativo, num país onde o dinheiro custa mais caro devido ao spread e onde as pequenas e médias empresas recorrem muito mais aos bancos do que noutros países.

Finalmente, outro nó a desatar na Itália é o da treinamentotalvez o nó mais importante.

“O problema da confiança em nosso país – diz Visco –, na minha opinião, deriva de nossa limitada capacidade de crescimento. Se a relação dívida/PIB passou de 130%, é porque estamos crescendo lentamente. Contra esta deriva devemos investir o máximo que pudermos em educação, treinamento e pesquisa”. Nosso mercado de trabalho “é muito flexível hoje. Pessoas como Treu e Biagi se enganaram. nesses anos trabalho temporário e precário aumentou e empresas investiram menos em treinamento permanente. É hora de repensar esse caminho einvestir mais em conhecimento e habilidades, para superar os atrasos que não são apenas os do sul da Itália”. O conhecimento é bom, a ignorância é má.

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