No domingo, 11 de novembro, em Roma, votaremos por o referendo sobre a abertura de licitação para o serviço público do CapitólioO referendo sobre a ATAC, mais conhecido como o referendo sobre a construção de uma nova linha de transporte público, parece ser o menos divulgado e conhecido da história italiana. Ninguém — exceto os promotores, é claro — está falando sobre ele, e não há certeza sobre o que acontecerá durante ou depois. O que é certo, no entanto, é que para os romanos, é uma data para marcar em vermelho no calendário, talvez até sublinhando-a para torná-la ainda mais proeminente, porque é um evento que (teoricamente) pode impactar um dos piores problemas que Roma enfrentou nos últimos anos: o transporte público.
O objetivo do referendo é, na verdade, perguntar ao cidadãos para dizerem Sim ou Não à oferta do serviço, Dessa forma, o monopólio da gestão deixa de estar nas mãos da Atac e passa para outras entidades que podem geri-la de uma forma diferente e (esperançosamente) mais eficiente. É importante salientar, contudo, que isto é um referendo consultivo e, portanto, o Capitólio não é obrigado a respeitar o resultado da votação, mesmo que, em caso de vitória do "Sim", as repercussões políticas sejam evidentes.
ROMA: COMO ESTÁ A ATAC?
Atac costuma ser descrita como "a mulher doente". Entre as empresas públicas de Roma, a situação da empresa de transporte público local, liderada por Paolo Simioni, tem sido notícia em todo o país nos últimos meses devido aos inúmeros altos e baixos que a afetam: desde as constantes idas e vindas dos altos executivos até as avarias e incêndios que atingem o metrô e os ônibus, das inúmeras greves de funcionários às contas extremamente endividadas, sem mencionar as interrupções diárias que irritam os usuários.
A crise orçamentária, em particular, tem estado no centro do interesse nacional: Atac tem dívidas de 1,3 mil milhões de euros que não consegue suportar. Por este motivo, o Município solicitou e obteve para a empresa o acesso ao procedimento. acordo preventivo em continuidade Isso impediu que a empresa declarasse falência imediatamente. Um plano de reestruturação corporativa foi apresentado e as ordens de pagamento de credores e fornecedores foram bloqueadas. De acordo com o acordo, esses credores e fornecedores serão pagos apenas parcialmente e em data posterior.
É importante também ressaltar que, para permitir que a Atac se reestruture, O Município prorrogou o contrato de prestação de serviços de 2019 para 2021.
REFERENDO DA ATAC: QUANDO VOTAR E QUEM PODE VOTARVOTE
Após uma série de adiamentos, a data do referendo foi marcada para Domingo 11 de novembro. A votação estará aberta durante 12 horas: das 8.00h às 20.00h. A contagem começará imediatamente após o encerramento das urnas, portanto o resultado do referendo poderá ser anunciado durante a noite. Podem votar os cidadãos inscritos no cadastro eleitoral da Capital Roma, bem como aqueles pertencentes a uma das categorias previstas pela legislação.art. 6 do Estatuto desde que tenham se registrado entre 1º de outubro e 31 de dezembro do ano anterior ao referendo. De acordo com o Artigo 6, também podem votar:
- cidadãos não residentes em Roma que gozam do direito de voto ativo e exercem ali a sua principal atividade laboral;
- Estudantes não residentes em Roma que realizam ali suas atividades de estudo comprovadas, em escolas ou universidades;
- Estrangeiros que tenham atingido a idade de dezoito anos, estejam legitimamente presentes no território nacional e residam em Roma ou estejam domiciliados lá por motivos de estudo ou trabalho.
Para votar, você precisará apresentar seu documento de identidade e seu título de eleitor em sua seção eleitoral.
ROMA, REFERENDO ATAC: AS PERGUNTAS
Ao chegar ao local de votação, cada eleitor receberá duas cartas de cores diferentes, Uma para cada pergunta. Abaixo das perguntas, haverá dois retângulos com as palavras SIM/NÃO dentro deles, nos quais você deverá marcar o X correspondente.
Il primeira pergunta O texto afirma: "Deseja que a Roma Capital atribua todos os serviços relacionados com o transporte público local, tanto de superfície como subterrâneo, bem como rodoviário e ferroviário, através de concursos públicos, mesmo a múltiplos operadores e garantindo formas de concorrência comparativa, em conformidade com a legislação em vigor, para salvaguardar a segurança e a recolocação dos trabalhadores durante a fase de reestruturação do serviço?"
Il Em segundo lugar, pergunta-se: "Deseja que a Roma Capital, ao mesmo tempo que mantém os serviços relacionados com o transporte público local, seja de superfície ou subterrâneo, rodoviário ou ferroviário, que lhe são confiados, favoreça e promova também a operação de transporte coletivo não regular a nível local por empresas concorrentes?"
ROMA, REFERENDO DA ATAC: C'É QUÓRUM? TALVEZ…
A controvérsia que envolve este referendo há meses também afetou o quórum. Os dois lados em disputa — Campodoglio de um lado e os Radicais do outro — discordam sobre quais regras devem ser aplicadas.
Até alguns meses atrás, aliás, o Estatuto de Roma Capital previa referendos consultivos com quórum de33% dos eleitores têm direito a voto.No entanto, neste ano, o Capitólio alterou seu estatuto, eliminando também o quórum. Apesar disso, o Município, neste caso, "aplica-se a regulamentação anterior que exigia quórum", enquanto os Radicais, por outro lado, aplicam a nova.
ROMA: QUEM VOTA SIM E POR QUÊÉ

Como já foi mencionado, há quem seja a favor do "Sim". Os radicais e o movimento “Mobilizar Roma” Essas são também as pessoas que promoveram o referendo, coletando as 30 assinaturas necessárias. Segundo elas: "Após anos de ineficiência, desperdício e lógica clientelista, votando sim, podemos finalmente acabar com o monopólio da Atac e abrir a licitação do serviço de transporte público para uma ou mais empresas, sob o controle direto da prefeitura de Roma, que continuará, por exemplo, a definir os preços das passagens e as rotas necessárias para cada bairro. Dado o estado atual da Atac, que efetivamente fracassou, qualquer outra proposta seria inviável e levaria à venda do serviço para uma única entidade privada. Aqueles que dizem não a este referendo argumentam que querem preservar a empresa 'pública', mas o único aspecto público da Atac que resta é sua dívida e o constante transtorno para os cidadãos", explica o comitê do "sim" em seu site. Vamos mobilizar RomaCabe ressaltar que os promotores descartaram categoricamente a possibilidade de o objetivo do referendo ser a privatização da ATAC.
Em favor do "Sim", após ter realizado uma consulta entre os seus membros, também há O Partido Democrático Romano. "Se eu fosse cidadão de Roma, votaria a favor do referendo proposto pelos Radicais, ou seja, contra a gestão irresponsável do transporte público por Virginia Raggi. É inaceitável que em Roma os ônibus queimem no horário, que o serviço da ATAC seja tão inadequado. E a responsabilidade recai sobre o acionista, a Prefeitura de Roma." Essas são as declarações de Matteo Renzi contidas em um vídeo publicado no Facebook.
ROMA, REFERENDO DA ATAC: QUEM VOTA NÃO E POR QUÊÉ
Posicionar-se a favor do "Não" é o Movimento Cinco Estrelas em Roma: "O Movimento Cinco Estrelas de Roma está pedindo um voto contra. Eles querem enganar as pessoas, fazendo-as acreditar que abrir a licitação para o transporte público, com a possível entrada de outras operadoras, levará a uma maior eficiência, mas não é o caso. A cidade sofre com um déficit de infraestrutura e estamos trabalhando para resolver esse problema", afirmou Enrico Stefano (M5S), presidente da Comissão de Transportes.
Ele também expressou publicamente seu apoio ao "Não". Gianni Alemanno: "Votarei não no referendo. Ele se baseia na ideia errada de que a ATAC não funciona por ser pública. Isso não é verdade", disse o ex-prefeito de Roma à Rádio Cusano Campus.
No entanto, a prefeita de Roma, Virginia Raggi, ainda não se pronunciou oficialmente, apesar de ter reiteradamente enfatizado seu desejo de manter a ATAC pública.
ROMA, REFERENDO DA ATAC: O QUE ACONTECE SE O SIM VENCER? E O QUE ACONTECE SE O NÃO VENCER?
O referendo é consultivo, portanto, uma vitória do "Sim" não significa automaticamente que o sistema de transporte público da cidade será licitado. A consulta serve para fornecer uma indicação muito precisa da vontade dos cidadãos. Simplificando, se o voto "Sim" vencer, a administração do Movimento Cinco Estrelas poderia legitimamente ignorar o resultado do referendo, mesmo que Politicamente, ele se encontraria em grandes dificuldades. Considerando também que o Movimento 5 Estrelas fez da “democracia direta” seu princípio básico há anos.
Para dar um exemplo do que aconteceu em outro lugar, O referendo sobre o Brexit também foi consultivo. Mas o Governo do Reino Unido decidiu respeitar a vontade expressa pelos cidadãos, prosseguindo com a saída do Reino Unido da UE.
