comparatilhe

FIRSTonline Banner

A Série A está de volta: quem vai ganhar o Scudetto? O especialista em jornalismo esportivo Roberto Beccantini dá suas avaliações.

Uma entrevista com Roberto Beccantini, um lendário jornalista esportivo. Será que o Napoli de Antonio Conte conseguirá reafirmar seu domínio após a lesão de Lukaku? Inter e Milan continuam sendo os rivais mais ferozes. A Juve ainda está em construção. Curiosidades sobre a Roma de Gasperini, a Atalanta de Juric e a Lazio de Sarri. O caso Donnarumma e o futuro da seleção.

A Série A está de volta: quem vai ganhar o Scudetto? O especialista em jornalismo esportivo Roberto Beccantini dá suas avaliações.

A corrida começa novamente. A Serie A 2025 / 26 abre suas portas no final de agosto, com o mercado de transferências pronto para entrar em sua fase mais quente. O risco de confundir as duas primeiras rodadas com amistosos de luxo é grande, mas é importante lembrar que os pontos contam desde o início, independentemente do calor e das negociações em andamento. O corte da fita, como de costume, será feito pelo campeão italiano. Napoli, ocupado com o jogo fora de casa em Reggio Emilia contra o recém-promovido Sassuolo (18h30, em conjunto com o Genoa-Lecce), enquanto à noite (20h45) será a vez do Milão-Cremonese e Roma-Bolonha. Conversamos com Roberto Beccantini, figura de longa data no jornalismo esportivo italiano e uma voz importante na interpretação das nuances de um campeonato complexo, cheio de incógnitas como nunca antes.

Roberto Beccantini, já se passaram exatamente três meses desde 23 de maio, quando o Napoli conquistou o Scudetto. Como recomeçar?

"A janela de transferências aberta até 1º de setembro força previsões vagas e escalações 'um tanto aleatórias'. A liderança do Napoli está ameaçada pela lesão de Lukaku e pela fome da Inter. Depois disso, é uma verdadeira armadilha para atum."

A maioria aponta o Napoli como o grande favorito: você concorda?

Sim. Embora a dupla trajetória (Liga e Liga dos Campeões) represente um empreendimento gigantesco, e a perda de Lukaku seja uma variável significativa, especialmente após as vendas de Raspadori e Simeone. O Vesúvio está reclamando: Conte perdeu Kvaratskhelia em janeiro, mas Okafor era "suficiente" para ele. Verdade, mas apenas em parte: o georgiano ainda o deixou com 16 jogos, 5 gols e 3 assistências. Sem mencionar os 18 jogos a mais que a Inter de Inzaghi. O peso do elenco ou a influência do técnico devem ser priorizados? O debate está aberto. Adivinhem, dado que ao menor tropeço se corre para Gianluca Di Marzio, eu diria que os jogadores.   

A Inter tem algumas incógnitas, começando por Chivu. Onde os colocaríamos em uma escalação hipotética?

Perto do Napoli. Sim, Chivu é uma incógnita, mas Bonny (um jogador parecido com Thuram) e Pio Esposito são reforços valiosos para o ataque. E Sucic, no meio, já mostrou que tem talento. Luis Henrique não tem se saído tão bem na lateral. A confirmação de Calhanoglu é crucial. Objetivos simples: diminuir a média de idade, encontrar alternativas ao esquema tático fixo 3-5-2. Por outro lado, atenção às tensões do Mundial de Clubes: elas podem pesar tanto na Inter quanto na Juventus. 

Falando da Juventus, também é um trabalho em andamento: você acha que ela pode competir nos mais altos níveis?

Ele enfrenta mais uma revolução: da rápida recuperação de Giuntoli aos algoritmos de Comollì. A temporada gira em torno da recuperação de Bremer, da habilidade de Yildiz e dos três principais centroavantes entre David, Kolo Muani e Vlahovic. O desaparecimento de Milik é uma farsa, o caso Vlahovic beira a paranoia. E quais Koopmeiners emergirão dos escombros? Falta um meia, e as laterais estão em um estado de neblina. Um trabalho em andamento, garantido pela confirmação de Tudor, "salvo" pelas rejeições de Conte e Gasp. No papel, ainda não parece um título de Scudetto.   

Depois temos o AC Milan de Allegri: será que eles podem ser a força imparável na disputa pelo título, principalmente devido à falta de compromissos europeus?

Pode, sim. Para a história do clube, a ausência nas competições europeias é uma falha grave; para o registro, e para os objetivos de revanche, é uma muleta preciosa. Allegri está arriscando tudo. Reijnders era o melhor: vendido. Theo, um encrenqueiro, sim, mas com uma bola e corrente, um dos melhores: vendido também. Os 40 anos de Modric, os sonhos de Leao, a capacidade de Ricci de criar jogadas, a guerra por Jashari e o equilíbrio entre os departamentos: tantas apostas. A questão do centroavante permanece: de Vlahovic a Hojlund e Boniface. Tudo bem."  

Atalanta-Juric, Roma-Gasperini, Lazio-Sarri: cenários diferentes, muita curiosidade...

Sarri conhece o mercado, e isso é uma vantagem (apesar de o mercado estar estagnado). Juric em Bérgamo e Gasperini em Trigoria são, por outro lado, escolhas extremas, senão mesmo extremistas. A Lazio não tem copas, a Atalanta não tem Liga dos Campeões, a Roma não tem Liga Europa: esses não são detalhes triviais na gestão de recursos humanos, educacionais e ambientais. 

Na próxima semana, chegará ao fim um mercado cheio de casos: como terminará a novela Donnarumma?

Tecnicamente, é inexplicável. A menos que você ceda aos fetichistas por pés (Luis Enrique). Contratualmente, o prazo de 2026 vincula as exigências do goleiro e de seus agentes à estratégia da empresa. E vice-versa. Com uma diferença crucial: os donos do Catar são tão ricos que se deram ao luxo de perder Mbappé em uma transferência gratuita. Gigio foi avisado. Dizem que ele ultrapassou os limites: e quando ele dispensou o Milan, as ofertas que recebeu não foram exatamente baratas. Na minha opinião, ele acabará na Premier League, supondo que seus agentes reduzam suas comissões. 

Esta é uma história que também preocupa a seleção nacional, que verá o início da era Gattuso em setembro: a Copa do Mundo é possível ou devemos nos resignar a mais um fracasso?

Uma Copa do Mundo é possível, claro. Nunca se esqueça dos playoffs, por mais desastrosos que tenham sido (estou pensando na Suécia de Ventura, na Macedônia de Mancini). Depende de Gattuso. O problema não é o técnico. O problema é a profundidade da área de influência. E então, atenção: uma terceira exclusão consecutiva confirmaria uma tendência, não seria mais uma coincidência. O gol de Chiesa na Premier League, em Liverpool-Bournemouth por 4 a 2, nos comoveu, nos abalou. Mas ele marcou como substituto. Ele voltará a ser titular em Anfield? E Leoni? E Raspadori no Atlético? Porque sim, viva Erasmus: desde que joguem.

Comente